
O Livreiro de Cabul.
Asne Seierstad
Uma história envolvente que fala sobre Sultan khan e sua família no Afeganistão. A jornalista Asne Seierstad ficou 3 meses na casa da família khan.
O livro relata um regime totalmente arcaico onde as mulheres são submissas aos homens, são vistas como mercadorias, onde casamentos são “arranjados” em troca de dinheiro.
Sultan khan era casado com duas mulheres e tinha cinco filhos. Seus familiares adoravam sua primeira esposa, porém Sultan queria casar-se novamente. Casou-se com uma jovem de dezesseis anos, porém esse casamento foi difícil de ser realizado.
No Afeganistão são as mulheres da família que fazem o elo para que o casamento seja realizado, caso elas não queiram fica difícil essa aproximação. Foi o que aconteceu com Sultan, pois as mulheres da sua família por gostarem muito da sua primeira esposa não quiseram ir até na casa da família da moça para pedi-la em casamento, ele foi pessoalmente e conseguiu, pois a quantia que ofereceu pela moça era muito considerável e era também visto como um homem muito influente e culto.
Levou sua primeira esposa para o Paquistão onde viveu sozinha por algum tempo e depois de alguns meses voltou ao Afeganistão, Sultan ia ate o Paquistão e comprava livros relativamente baratos e vendia-os em sua livraria por valores bem superiores. Tinha um sonho de ter um acervo de quase 10.000 mil livros e ganhava muito dinheiro com esse negócio.
Mansur presenciou o furto de selos de sua livraria e contou ao seu pai pelo telefone, o pai obrigou o menino ir ate a delegacia e denunciar o pedreiro, sendo que este trabalhava na livraria, ele pegou três anos de prisão.
Sultan amava os livros e sua livraria, era um homem culto e falava o inglês fluente, porém seu filho Mansur não tinha acesso à escola, pois o pai achava desnecessário e fazia com que ele trabalhasse 12 horas diárias na livraria, o garoto odiava trabalhar lá e achava aquilo muito monótono e na verdade queria fazer o que os jovens de sua idade faziam e não ficar trancado em uma livraria o dia todo.
As mulheres eram totalmente submissas a Sultan, a sua palavra era uma ordem, Sultan era brigado com seu irmão, o qual foi embora e nunca se reencontraram.
Quando o regime Talebã foi instalado no Afeganistão, era proibido culto a imagens, mulheres fazer unhas, sendo essas pegas perdiam um dedo, pessoas que roubavam perdiam uma mão, e também era proibido o incentivo à cultura.
A biblioteca de Sultan Khan foi totalmente destruída, pegaram grande parte de seu acervo de livros e colocavam fogo, fazendo uma grande fogueira. Sultan já foi preso algumas vezes pela comercialização de livros.
Seu filho Mansur foi ao Ramadã com alguns amigos e adorou toda aquela agitação e saiu da rotina da livraria. As mulheres geralmente são “dadas” em casamento muito cedo, sem mesmo conhecerem seus maridos, são tratadas como mercadoria, e geralmente se casam com homens bem mais velhos e não podem trabalhar e a submissão da mulher ao homem é enorme.
O livro relata uma história interessante onde uma filha comete um adultério, a menina fica trancada num quarto durante uma semana até a família decidir o que fazer com ela. E a família decidiu que o destino dela seria a morte. A mãe autorizou seus três filhos a sufocarem sua própria filha com travesseiro, ate que essa viesse a morrer. Adultério é visto como um ato satânico e para a mulher o destino da descoberta de uma traição pode ser a morte.
A família de Sultan Khan era muito obediente a ele, mesmo seu filho Mansur não desrespeitava seu pai de maneira alguma. As mulheres ficavam em casa e Bibi a mãe de Sultan chegou a recusar vários casamentos às suas filhas, mas chegou um momento que concedeu a mão delas em casamento, onde existia todo um ritual cerimonial, e depois que as filhas se casaram ficou apenas com seu filho yunus e sua filha Laila que era muito trabalhadora, esta sabia ler e escrever e queria ser professora de inglês, mas se deparou com uma enorme burocracia para seguir seu sonho e depois de algum tempo desistiu do seu sonho, ela fazia todos os afazeres da casa.
Depois de uma briga com Sultan, saíram de casa com a roupa do corpo e foram moram com o irmão de Sultan khan.
Mas o livro é constituído de uma vida totalmente diferente para nos ocidentais, onde mulheres precisam andar de burca, não podem sair na rua sem um acompanhante homem, não podem fazer a unha, nos ônibus precisam sentar num banco apertadíssimo destinado só às mulheres, enfim era um regime totalmente arcaico, que mesmo depois da queda do regime Talibã, mudou-se pouca coisa.
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